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A mostrar mensagens de dezembro, 2020

Mea culpa

You are so soft, but your softness does not touch me. You're so shy, but your shyness casts no fire in my heart. You are full of wounds and scars, but these do not call my name, and these I do not feel as if they were mine. Your loneliness does not trespass my soul, nor does it make me yearn to touch your hands, to embrace you, to give myself to you. And in you I do not see any ocean of unfathomable depth... No word of mine has ever been inspired by you. None of my poems. None of my verses. None of my drafts. It's not your fault. I never loved you...

Smear

The entire night through, how I longed / To have him so lovingly meek under my breasts, / To make him perhaps cut my throat open. / My blood, so beautifully smeared across his face. / Oh… ever-so poisonous elixir of eternal youthfulness. / To a darker shade of red, my whole world painted. / Two roses, enough for a bouquet, / Between my thighs – ‘wouldst thou dare?’ / Needlework in my nipples. / Primordial waltz that cripples. / How weep the pure… / «Desire… in violent overture». / Devour me raw, all crimson flesh, white bone. / Life’s leaden me but to a dark corner of castrated dreams, vilified means. / For thee they play this sweet funeral allegro. / Yet tomorrow those chimes shalt toll for me. / Come, feast, fuck and flee. / Once I loved you.

Aurora Boreal

Toque-me, leve-me de volta através das décadas, / Para cada momento, cada lágrima, cada nódoa impressa, / Para aquelas noites de vinte horas, / Os porquês e os agoras / Nada têm connosco. / E os seus pés na neve de janeiro, / E as suas mãos no sal do mar d’agosto, / Pelos quais ansiei um quarto de século inteiro, / Pertencerão, por um instante derradeiro, / Ao solo maleável, domável, d‘um afeto verdadeiro. / Toque-me! Aqui sim, noutro dia não, / Não haverá tempo, mas então haverá perdão, / Babilónia está liberta, a minha alma desperta, / Sob luz de novo clarão. / E os meus pés já não estão no chão. / Há muito perdi a razão, / Mas aqui reencontro o meu pequeno coração. / E se estender, à esquerda, a minha mão, / Cinco dedos tocá-lo-ão, / Como se um simples gesto pudesse gritar... Gratidão. / Gratidão na solidão, / Na solidão que vislumbra um irmão. / E leito onde se deitar, / Enfim repousar, / De meia vida passada como um borrão.